Mandados cumpridos visam neutralizar liderança e estrutura de facção
Eraldo de Freitas
A Polícia Civil de Mato Grosso, por meio da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), desencadeou na manhã desta segunda-feira (31) a Operação Tabuleiro Quebrado. O objetivo foi desmantelar os planos de uma facção criminosa que arquitetava a execução de membros de um grupo rival, visando consolidar seu domínio sobre atividades ilícitas no estado.
A operação cumpriu cinco mandados de prisão preventiva e dois de busca e apreensão domiciliar, todos expedidos pela Sétima Vara Criminal de Cuiabá, especializada no combate ao crime organizado. A ação contou com o suporte da Delegacia Regional de Tangará da Serra, demonstrando a cooperação entre diferentes unidades policiais no enfrentamento às organizações criminosas.
As investigações apontaram que a facção em questão possui uma estrutura organizacional complexa, com funções bem definidas entre seus membros. Essa organização é dedicada a confrontar grupos rivais, promover homicídios, possuir armamentos e fomentar o tráfico de drogas.
Durante o curso das investigações, foram interceptadas comunicações que revelaram planos detalhados para a expansão territorial da facção. Termos como “montar um tabuleiro” foram utilizados para descrever a estratégia de posicionar membros em funções-chave, como a de “disciplina”, responsáveis por coordenar ações violentas contra rivais.
Um dos principais articuladores, conhecido como “Chapeleiro Primeirão” e atualmente detido no Capão Grande, foi identificado como o responsável por recrutar indivíduos para executar membros da facção adversária. Para isso, oferecia incentivos financeiros de R$ 10 mil, além de veículos e armas de fogo.
Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2023, publicado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil enfrenta um cenário preocupante com a presença de diversas facções criminosas atuando em seu território. O estudo destaca que o país abriga 72 facções criminosas em atividade, sendo que duas delas possuem atuação transnacional: o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC). Além disso, 22 dessas facções estão presentes em pelo menos 178 municípios da Amazônia Legal, evidenciando a disseminação e a influência dessas organizações em diferentes regiões.