Lição 4
17 a 23 de janeiro
Sábado à tarde
Ano Bíblico: RPSP: 2SM 9
Verso para memorizar: “Completem a minha alegria, tendo o mesmo modo de pensar, tendo o mesmo amor e sendo unidos de alma e mente” (Fp 2:2).
Leituras da semana: Fp 2:1-11; jr 17:9; Fp 4:8; 1Co 8:2; Rm 8:3; Hb 2:14-18
A força está na unidade. No entanto, saber o que é certo não é o mesmo que colocá-lo em prática. Nós falhamos, mesmo quando nos esforçamos para manter a unidade. Porém, isso é diferente de tentar enfraquecê-la voluntariamente. Por isso, não é surpreendente que, ao continuar a carta, Paulo tenha exortado os crentes a ser “unidos de alma e mente” (Fp 2:2).
O apóstolo destacou a importância da unidade com base no ensino e no exemplo de Jesus, um tema recorrente no NT, especialmente nas epístolas. A desunião do Universo teve início quando um anjo do Céu manifestou orgulho e desejo de obter poder. Esse sentimento se espalhou, mesmo em um ambiente perfeito (Is 14:12-14). Depois, encontrou terreno fértil no Éden, por meio de um descontentamento semelhante com as ordens de Deus e do desejo de alcançar posição mais elevada do que aquela que Ele havia determinado (Gn 3:1-6).
Nesta semana, estudaremos a base bíblica para a unidade da igreja, destacando a extraordinária humilhação de Jesus, as lições que podemos aprender ao contemplá-Lo e como crescer para nos tornarmos mais semelhantes a Ele.
Domingo, 18 de janeiro
Ano Bíblico: RPSP: 2SM 10
Desunião em Filipos
- O que parece ter causado a desunião na igreja? Para Paulo, qual era a solução? Fp 2:1-3
Foi, sem dúvida, uma grande decepção para Paulo perceber que a igreja que ele fundou e amava profundamente estava sendo afetada por rivalidades e discórdias. Ele utilizou uma linguagem forte para descrever esses problemas. “Interesse pessoal” (Fp 2:3, NAA) ou “ambição egoísta” (NVI) traduz uma palavra grega (eritheia) já usada em Filipenses 1:17 para descrever aqueles que desafiavam Paulo em Roma, buscando promover a si mesmos em vez de defender a causa de Cristo.
Esse mesmo termo, traduzido como “discórdias”, aparece no contexto das obras da carne (Gl 5:20). Tiago também alertou: “Onde há inveja e rivalidade, aí há confusão e toda espécie de coisas ruins” (Tg 3:16). A palavra grega traduzida como “vaidade” ocorre no NT apenas em Filipenses 2:3, mas, na literatura grega, é usada com o sentido de arrogância, orgulho vazio e uma visão exagerada de si mesmo. Paulo utilizou uma expressão semelhante ao advertir os gálatas: “Não sejamos presunçosos, provocando uns aos outros e tendo inveja uns dos outros” (Gl 5:26, NVI).
Observe as soluções que Paulo apresentou para esses problemas:
- Exortação em Cristo – Paulo destacou o exemplo de Cristo como uma motivação poderosa.
- Consolação de amor – Jesus revelou o amor divino e deixou o seguinte mandamento: “Que vocês amem uns aos outros, assim como Eu os amei” (Jo 15:12).
- Comunhão do Espírito – A presença do Espírito Santo promove unidade entre os cristãos, como vemos na igreja apostólica (At 2:42; compare com 2Co 13:13).
- Afeto – Essa característica divina foi revelada na vida de Cristo (Mt 9:36; 20:34; Mc 1:41), sendo ilustrada nas parábolas do bom samaritano e do filho pródigo (Lc 10:33; 15:20).
- Compaixão – Seguindo o exemplo de Jesus, Seus seguidores também são chamados a agir com misericórdia (Lc 6:36).
- Unidade em pensamento, amor e propósito – É difícil imaginar uma forma mais enfática de destacar a importância da unidade do que estas palavras do apóstolo: “Tenham […] o mesmo modo de pensar de Cristo Jesus” (Fp 2:5).
Segunda-feira, 19 de janeiro
Ano Bíblico: RPSP: 2SM 11
A fonte da unidade
Em Filipenses 2:2, Paulo destacou a importância da unidade, transmitindo a mesma ideia de quatro formas diferentes. Além disso, ele enfatizou a mente, os pensamentos e os sentimentos. Enquanto os líderes religiosos costumavam destacar apenas o comportamento exterior, Jesus direcionou Sua atenção às intenções e motivações do coração. Por exemplo, o jovem rico declarou ter obedecido à lei de Deus durante toda a sua vida. Porém, quando Jesus pediu que ele vendesse tudo o que tinha, desse o dinheiro aos pobres e O seguisse, o apego daquele homem aos bens materiais ficou evidente. Jesus também ensinou que o que nos contamina vem do coração ou da mente: “Do coração procedem maus pensamentos, homicídios, adultérios, imoralidade sexual, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias” (Mt 15:19); “a boca fala do que está cheio o coração” (Mt 12:34).
- Quais orientações práticas Paulo apresentou para fortalecer a unidade na igreja? Fp 2:3, 4
Paulo descreveu um modelo de caráter: agir com humildade, considerar os outros mais importantes do que nós mesmos e buscar os interesses deles, não apenas os nossos. Parece simples de dizer, mas é difícil de viver, não é verdade? Ainda assim, esses princípios são fundamentais para melhorar nossos relacionamentos. Muitas vezes, em conversas, estamos mais preocupados em preparar uma resposta do que em ouvir para entender a outra pessoa. Isso pode gerar conflitos desnecessários, que poderiam ser evitados com uma escuta atenta. Mesmo que não concordemos, ouvir com empatia e tentar entender o ponto de vista do outro é o primeiro passo para construir confiança e uma comunicação saudável.
Paulo mencionou a “unidade que o Espírito dá”, e essa unidade traz a “paz que une” o povo de Deus (Ef 4:3, NBV). Quando há conflitos na igreja, o Espírito Santo pode acalmar as tensões e nos levar à unidade, promovendo harmonia. No mesmo capítulo, Paulo destacou a “unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus” (Ef 4:13). Esses conceitos estão conectados. Ter a mesma fé e um entendimento comum das Escrituras, que vêm do conhecimento de Cristo e de Seus ensinos, é essencial para manter a unidade.
Terça-feira, 20 de janeiro
Ano Bíblico: RPSP: 2SM 12
Implante mental ou cirurgia mental?
Muitas empresas estão desenvolvendo tecnologias que combinam o poder dos computadores com o cérebro humano. Conectando mentes a máquinas, cientistas esperam influenciar os pensamentos por meio da tecnologia. Embora o uso de implantes cerebrais possa oferecer benefícios, como ajudar no controle da epilepsia, depressão e doença de Parkinson, é fácil imaginar cenários mais preocupantes. O controle mental pode não estar tão longe assim.
De certa forma, ele já está presente. Nossa mente funciona como um computador, embora muito mais sofisticado. O fluxo constante de informações a que somos expostos “programa” nossa mente, molda nossos pensamentos e orienta nossas ações. Quando nos deixamos absorver pelas mídias, a maneira de pensar do mundo começa a influenciar a nossa mentalidade e adotamos esse padrão de pensamento. É como se a mente de outras pessoas fosse implantada na nossa ou fundida na nossa.
Porém, assim como Jesus, devemos “permitir que o Espírito controle a [nossa] mente” (Rm 8:6, NVT). “Ninguém conhece as coisas de Deus, a não ser o Espírito de Deus”, e isso é o oposto ao “espírito do mundo” (1Co 2:11, 12). Quem está influenciando a nossa forma de pensar? E o que estamos deixando entrar em nossa mente?
- Leia Filipenses 2:5. O que você acha que significa ter o “mesmo modo de pensar” de Cristo?
Podemos ajustar os pensamentos, mas não conseguimos transformar nosso coração. Só Deus faz isso. O Espírito Santo precisa realizar uma verdadeira cirurgia espiritual em nosso coração, utilizando a “espada do Espírito” (Ef 6:17). Essa espada é a “palavra de Deus”, que “é viva e eficaz”, penetrando “até o ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para julgar os pensamentos e propósitos do coração” (Hb 4:12). Somente com o auxílio do Espírito podemos nos conhecer de verdade, pois o coração é enganoso por natureza (Jr 17:9). A palavra hebraica traduzida como “enganoso” (’aqov) descreve um terreno irregular que nos faz tropeçar; por extensão, refere-se a pensamentos confusos, tortuosos e distorcidos. Precisamos ser transformados pela “renovação da mente”, para “experimentar qual é a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12:2).
Quarta-feira, 21 de janeiro
Ano Bíblico: RPSP: 2SM 13
A mente de Cristo
O lutador Muhammad Ali certa vez declarou: “Eu sou o maior.” Em agosto de 1963, seis meses antes de conquistar o título mundial de boxe peso-pesado, o lutador Muhammad Ali lançou um álbum chamado I Am the Greatest (“Eu sou o maior”). Sem dúvida, Ali foi um atleta bastante talentoso, mas sua atitude não deve ser imitada pelos que desejam ter a mente de Cristo.
Jesus, por outro lado, viveu absolutamente sem pecado. “Tentado em todas as coisas, à nossa semelhança” (Hb 4:15), Ele nunca pecou, nem mesmo em pensamento. “Embora fosse Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu” (Hb 5:8). A submissão de Jesus à vontade do Pai foi sempre perfeita. Não houve um momento sequer em que Ele Se recusasse a Se submeter, embora, sem dúvida, isso muitas vezes não tenha sido fácil.
- Leia Filipenses 2:5-8, considerado um dos textos mais poderosos e belos das Escrituras. O que Paulo nos ensina nesse texto? Quais são as implicações dessas palavras? E, mais importante, como podemos viver, na prática, o ensino que ele nos apresenta?
Jesus, que é Deus igual ao Pai, não apenas assumiu a natureza humana, mas Se tornou “Servo” (Fp 2:7; doulos [“servo”, “escravo”]) e Se ofereceu como sacrifício pelos nossos pecados! Paulo declarou que Ele Se fez “maldição em nosso lugar” (Gl 3:13). Jesus, o Filho de Deus, morreu na cruz para ser também o nosso Redentor, o que exigiu que Ele Se tornasse maldição por nós.
Como compreender o significado dessa oferta? E, mais importante, como viver o que esses textos nos ensinam: ter a mesma disposição de nos humilharmos e sacrificarmos pelo bem dos outros?
Jesus afirmou: “O maior entre vocês será o servo de vocês. Quem se exaltar será humilhado; e quem se humilhar será exaltado” (Mt 23:11, 12). Essa mensagem reflete, em muitos aspectos, a instrução de Paulo (Fp 2:5-8). De forma ainda mais contundente, Paulo reforçou o que já havia dito: não agir com “interesse pessoal ou vaidade” (Fp 2:3).
Quinta-feira, 22 de janeiro
Ano Bíblico: RPSP: 2SM 14
O mistério da piedade
Um verso bastante conhecido da Bíblia diz: “Se alguém julga conhecer alguma coisa, ainda não conhece como deveria conhecer” (1Co 8:2). Ninguém sabe tudo sobre determinado assunto. Isso é ainda mais verdadeiro em relação às verdades da Divindade e da encarnação de Cristo! Paulo destacou a extraordinária humilhação de Jesus ao Se tornar humano, um tema que nem mesmo na eternidade compreenderemos totalmente.
- Como foi a humilhação de Jesus ao assumir a natureza humana? Rm 8:3; Hb 2:14-18; 4:15
Como foi possível para o eterno Filho de Deus, pela atuação do Espírito Santo (Lc 1:35), tornar-Se um Ser divino-humano no ventre de Maria? É algo que desafia nossa compreensão: Como o infinito e eterno poderia subitamente tornar-Se um ser humano finito, sujeito à morte? Esse é o centro do que Paulo descreveu como o “mistério da piedade” (1Tm 3:16).
No belíssimo hino de Filipenses 2:6-11, Paulo explorou essa humilhação de forma mais detalhada do que em qualquer outro texto das Escrituras:
- “Existindo na forma de Deus” (Fp 2:6) – A palavra morph? (“forma”) indica Sua natureza divina, mostrando que Jesus era igual ao Pai (compare com Jo 1:1).
- “Ele Se esvaziou” (Fp 2:7) – O mistério de que Jesus deixou de lado Suas prerrogativas divinas, para Se tornar verdadeiramente humano e ser tentado como nós, é espantoso.
- “Ele Se humilhou” (Fp 2:8) – Ao assumir a natureza humana, Jesus passou de uma posição de supremacia universal para a de total servidão, contrastando completamente com o desejo de Lúcifer.
- “Até a morte, e morte de cruz” (Fp 2:8) – Não havia forma mais humilhante de morrer do que a escolhida por Jesus, planejada em conjunto com o Pai no “conselho de paz” (Zc 6:13, ARC). Esse ato foi prefigurado por Moisés ao levantar a serpente no deserto (Nm 21:9; Jo 3:14). E, assim, na cruz, “Aquele que não conheceu pecado, Deus O fez pecado por nós, para que, Nele, fôssemos feitos justiça de Deus” (2Co 5:21).
Sexta-feira, 23 de janeiro
Ano Bíblico: RPSP: 2SM 15
Estudo adicional
“Todo o amor paternal que veio de geração em geração por meio do coração humano e toda fonte de ternura que se abriu na alma do homem não passam de tênue riacho em comparação com o ilimitado oceano, quando postos ao lado do infinito, inesgotável amor de Deus. A língua não consegue exprimir, nem a caneta é capaz de descrever isso. Pode-se meditar nele todos os dias de nossa vida; pode-se examinar diligentemente as Escrituras a fim de compreendê-lo; pode-se reunir toda faculdade e poder a nós concedidos por Deus, no esforço de compreender o amor e a compaixão do Pai celeste; e todavia existe ainda um infinito para além. Pode-se estudar por séculos esse amor; no entanto, jamais se poderá compreender plenamente a extensão, a largura, a profundidade e a altura do amor de Deus em dar Seu Filho para morrer pelo mundo. A própria eternidade nunca o poderá bem revelar. No entanto, ao estudarmos a Bíblia e meditarmos sobre a vida de Cristo e o plano da redenção, esses grandes temas se desdobrarão cada vez mais ao nosso entendimento” (Ellen G. White, Testemunhos Para a Igreja [CPB, 2021], v. 5, p. 628).
“Quando estamos passando por um processo de formação, como Moisés na escola de Cristo, qual deve ser nossa atitude? Devemos nos tornar arrogantes? Ter uma opinião exagerada sobre nós mesmos? […] Não devemos achar que já sabemos tudo o que precisamos aprender. Devemos fazer o melhor uso dos talentos que Deus nos deu, para que, quando este corpo mortal se revestir de imortalidade, não abandonemos o que alcançamos, mas possamos levá-lo conosco” (Ellen G. White, Manuscrito 36, 1885).
Perguntas para consideração
Você já experimentou a realidade do amor de Deus em sua vida?
O que significa dizer que Jesus veio “semelhante aos seres humanos” (Fp 2:7)? Compare com Romanos 8:3. Como essas passagens lançam luz uma sobre a outra?
desafios à unidade a igreja enfrenta em seu país? A disposição de ser humilde e de não agir com “interesse pessoal ou vaidade” (Fp 2:3) começaria a resolver essas questões?
Respostas às perguntas da semana: 1. A desunião vinha do egoísmo e da busca por reconhecimento. Paulo ensinou que a solução era cultivar humildade e considerar os outros superiores a si mesmos. 2. Ele orientou os crentes a agir sem egoísmo, evitando orgulho e buscando o bem dos outros, não apenas o próprio. 3. Ter o mesmo modo de pensar de Cristo é agir com humildade, serviço e entrega, colocando a vontade de Deus acima da própria vontade. 4. Paulo mostra que jesus, sendo Deus, Se esvaziou, tornando-Se servo e obediente até a morte. Isso nos convida a viver com humildade, serviço e obediência, mesmo que isso custe sacrifício. 5. jesus assumiu a natureza humana, experimentando dor, fraqueza e tentações. Isso O capacita a nos entender, socorrer e representar diante de Deus.