Lição 12
14 a 20 de março
Sábado à tarde
Ano Bíblico: RPSP: 2RS 19
Verso para memorizar: “Que a palavra dita por vocês seja sempre agradável, temperada com sal, para que saibam como devem responder a cada um” (Cl 4:6).
Leituras da semana: Cl 3:18-25; 4:1-6; Ef 5:22-25, 33; Pv 22:6, 15; 1Pe 2:16; 1Ts 5:17
Quando as pessoas vivem e trabalham juntas, enfrentam desafios. Diferenças de opinião podem gerar tensões e dar origem a discussões. Quanto mais próxima for a relação, mais importante é que todos se entendam.
As relações mais próximas, naturalmente, são as familiares. O lar às vezes é chamado de “empresa familiar”, uma forma interessante de descrever seu funcionamento. Há semelhanças entre administrar um negócio e cuidar de um lar. Em ambos, deve haver consenso sobre valores, metas e objetivos; todos devem se dar bem e fazer sua parte para que tudo funcione em harmonia. Os mesmos princípios se aplicam à igreja, que, na essência, é uma família ampliada.
Na passagem desta semana, Paulo nos apresenta princípios para guiar a família cristã, que funciona de maneira diferente de um lar romano típico. Além disso, Ele oferece outros valores que se aplicam a diferentes relações sociais, tanto dentro quanto fora de casa.
Domingo, 15 de março
Ano Bíblico: RPSP: 2RS 20
Marido e esposa
Várias instruções para o lar cristão aparecem no NT (Ef 5:21-33; 6:1-9; Cl 3:18-25; 4:1; Tt 2:1-10; 1Pe 2:18-25; 3:1-7). Esses “códigos domésticos”, como são chamados, não impõem uma hierarquia rígida, mas apresentam diretrizes que tornam as relações mais equilibradas e edificantes para todos.
- Leia Colossenses 3:18, 19. Que equilíbrio você percebe? Quais conselhos adicionais Paulo dá em Efésios 5:22-25, 33?
Alguns homens citam este texto: “Esposas, que cada uma de vocês se sujeite a seu próprio marido”, e param por aí; mas observe a importante condição que Paulo acrescenta: “como convém no Senhor” (Cl 3:18). O NT em momento algum ensina que as mulheres devem se submeter a todos os homens; nem que a esposa seja subserviente, atendendo sem critério a todos os caprichos ou desejos do marido. A lealdade da esposa é primeiramente ao Senhor e, depois, ao marido. A individualidade da esposa não deve ser apagada pelo marido, nem ele pode servir de consciência para ela.
O amor de Cristo pela igreja, ao Se entregar por ela, ilustra como o marido deve amar a esposa (Ef 5:25). Ele será fiel, não importa o custo. Decidirá sempre o que for melhor para a esposa. Um amor assim torna mais fácil para a esposa obedecer ao mandamento de Deus de respeitar o marido (Ef 5:33).
Um casamento cristão saudável é caracterizado por reciprocidade, diálogo, cumplicidade e harmonia. Às vezes, quando decisões com implicações para toda a família precisam ser tomadas, pode ser apropriado incluir os filhos na discussão, mas os pais nunca devem brigar na frente deles. Após esse processo, se o marido e a esposa não chegarem a um acordo, o caminho bíblico para a paz é que a esposa ceda ao julgamento do marido, desde que isso não viole a Palavra de Deus. Igualmente, a maioria dos maridos, se não todos, pode se lembrar de momentos felizes em que seguiu os conselhos da esposa. Quanto mais o marido e a esposa cooperarem, mais feliz será o casamento.
Segunda-feira, 16 de março
Ano Bíblico: RPSP: 2RS 21
Pais e filhos
As crianças desempenham um papel essencial dentro da família. Elas precisam saber que são amadas e valorizadas como membros da família e cidadãs do Reino celestial. O culto familiar é fundamental, simples, mas deve ser regular, de manhã e à noite. Desde cedo, as crianças podem começar a ajudar com a limpeza da casa e outras responsabilidades. O mais importante é que elas sigam o mandamento de Paulo: “Filhos, em tudo obedeçam a seus pais, pois fazer isso é agradável diante do Senhor” (Cl 3:20).
- Leia os versos a seguir. Quais princípios são apresentados para a criação dos filhos?
a) Dt 6:6, 7
b) Pv 1:8, 9
c) Pv 22:6, 15
d) Mt 19:14
Quando bem orientados para o Senhor, por meio de ensino e exemplo, os filhos se tornam uma bênção para a família, a igreja e a sociedade. A instrução de Paulo para os pais, assim como para maridos e esposas, é equilibrada e recíproca: “Pais, não irritem os seus filhos, para que eles não fiquem desanimados” (Cl 3:21). A maneira como os pais (especialmente o pai) interagem com os filhos e os disciplinam tem um grande impacto na formação espiritual deles.
Estudos mostram que, quando ambos os pais frequentam a igreja, uma porcentagem maior de filhos também permanece na igreja, ao contrário do que acontece quando apenas um dos pais o faz. O mais surpreendente é que a presença constante do pai na igreja, mais do que da mãe, tem um impacto ainda maior, fazendo com que mais filhos continuem na igreja na vida adulta. O papel do pai, portanto, na formação espiritual dos filhos é fundamental e não pode ser negligenciado. É crucial que os pais assumam esse papel com seriedade.
Terça-feira, 17 de março
Ano Bíblico: RPSP: 2RS 22
Relações de trabalho
- Leia Colossenses 3:22-25; 4:1. Quais são as instruções dadas aos escravos? Quais princípios podem ser aplicados às relações de trabalho em geral?
Hoje algumas pessoas mencionam a escravidão para alegar que a Bíblia é ultrapassada. No entanto, elas não consideram os contextos históricos de Israel no AT e da igreja no NT. Os seres humanos foram criados à imagem de Deus e, portanto, para ser livres. A lei mosaica proibia manter um compatriota como escravo perpétuo (Dt 15:12) e estabelecia seis anos como o período máximo de serviço para quitar uma dívida financeira (Êx 21:2-6; Lv 25:39-43). A escravidão mencionada na Bíblia, embora repugnante para nossa visão moderna, normalmente não se assemelha às práticas cruéis da escravidão no mundo ocidental, que foram um flagelo e um crime contra a humanidade.
Nos tempos do NT, a igreja atuava numa sociedade regida pela lei romana, que permitia a posse de escravos. “Porém, ao contrário das formas modernas de escravidão, a lei romana concedia aos escravos direitos e oportunidades consideráveis, e tentar derrubar essa prática poderia constituir uma ameaça ao avanço do evangelho” (Clinton Wahlen e Wagner Kuhn, em Hermenêutica Bíblica: Como Interpretar as Escrituras e Avaliar Tendências [CPB, 2025], p. 153).
De fato, dentro da igreja, ao contrário do que acontecia na maior parte do Império Romano, a primeira obrigação do escravo era para com Deus. E seus senhores eram instruídos a tratá-los de forma justa, “sabendo que também [tinham] um Senhor no Céu” (Cl 4:1). Além disso, Paulo orientou Filemom a não tratar Onésimo como um escravo, mas como seu irmão (Fm 16). Na verdade, tanto no AT quanto no NT, os crentes são chamados de escravos (ou servos) de Deus (Sl 34:22; Lc 17:10; 1Pe 2:16).
Mesmo que não concordemos com as circunstâncias culturais em que alguns textos bíblicos foram escritos, devemos ainda aceitar a autoridade do texto. Caso contrário, colocamos nossa própria cultura acima das Escrituras. O melhor é considerar tudo o que a Bíblia diz sobre um tema antes de tirar conclusões sobre o que ela nos ensina a respeito.
Quarta-feira, 18 de março
Ano Bíblico: RPSP: 2RS 23
Orando uns pelos outros
- Leia Colossenses 4:2-4. Quais princípios sobre oração você encontra nesses versos? Quais pedidos de oração Paulo faz?
Algumas das palavras mais importantes que podemos dizer a alguém que enfrenta dificuldades e problemas são: “Estou orando por você.” Essa é a forma escolhida por Deus para nossa conexão e interação com o Céu. “Faz parte do plano de Deus nos conceder, em resposta à oração da fé, aquilo que Ele não daria se não pedíssemos assim” (Ellen G. White, O Grande Conflito [CPB, 2021], p. 439).
Observe como Paulo descreveu uma oração de fé: “Continuem a orar, vigiando em oração com ação de graças” (Cl 4:2). Ele nos diz para orar “em todo tempo” (Ef 6:18) e “sem cessar” (1Ts 5:17). Mais impressionante ainda, mesmo que não saibamos “orar como convém”, é que “o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis” (Rm 8:26).
- Leia novamente Colossenses 4:3. Que “porta” para a “palavra” Deus pode abrir para você compartilhar sua fé?
Paulo também orou para que dissesse as palavras certas. Quando lemos suas cartas ou seus discursos no livro de Atos, podemos imaginar que ele era sempre eloquente, sem nunca duvidar do que deveria dizer. No entanto, ele pedia orações para poder transmitir “essa mensagem com a devida clareza” (Cl 4:4, NVT). Além disso, usou uma palavra grega importante (dei) na última frase, que significa “como me cumpre fazer”, indicando a necessidade divina do trabalho de proclamar o evangelho. Paulo reconhecia a importância de levar essa mensagem aos mais altos níveis do governo romano, incluindo a casa de César.
“Para orar não é necessário que estejamos sempre prostrados, de joelhos. Cultivemos o hábito de falar com o Salvador quando a sós, quando estamos caminhando e quando ocupados com os trabalhos diários. Que nosso coração se eleve continuamente, em silêncio, pedindo auxílio, luz, força, conhecimento. Que cada respiração seja uma oração!” (Ellen G. White, A Ciência do Bom Viver [CPB, 2021], p. 329).
Quinta-feira, 19 de março
Ano Bíblico: RPSP: 2RS 24
Sábios no modo de agir
Qual é a verdade mais importante que nós, cristãos, sabemos? É o fato de que Jesus Cristo morreu pelos nossos pecados e que, por meio da fé Nele, podemos ter a vida eterna. Essa é uma verdade que nunca poderíamos ter descoberto sozinhos. Em vez disso, ela teve que ser contada, ou revelada, a nós. E ela nos foi revelada na Palavra de Deus.
Há uma grande quantidade de verdade, conhecimento e sabedoria que nunca teríamos se não fosse pelo que Deus nos revelou em Sua Palavra. Mas esse conhecimento e sabedoria não nos foram dados apenas como informação. Ao contrário, devemos viver em nossa vida essa verdade, esse conhecimento e essa sabedoria.
- Leia Colossenses 4:5, 6. Em que situações Paulo nos ensina que precisamos mais ainda ser “sábios no modo de agir”? Por que isso é importante?
Infelizmente, nós, cristãos, às vezes somos tudo, menos cristãos! Paulo (citando o profeta Isaías) indicou que crentes podem afastar os descrentes: “O nome de Deus é blasfemado entre os gentios por causa de vocês” (Rm 2:24; Is 52:5). A maneira como agimos em relação aos outros, especialmente aos que não compartilham de nossa fé, faz toda a diferença (Tt 2:5; 2Pe 2:2). Um lar cristão, um grupo de jovens reunidos para fazer oração, não para travessuras, pequenas gentilezas e um espírito calmo e paciente falam muito para aqueles que nos observam tentando perceber se nossa profissão de fé é autêntica ou não.
Em Colossenses 4:6, Paulo destacou as palavras que usamos. “Que a palavra dita por vocês seja sempre agradável.” Isso é mais do que simplesmente ser gentil ou educado: é comunicar com as palavras a graça de Deus, por meio da ação do Espírito Santo. “Temperada com sal.” Em vez de trazer um tom agressivo, nossas palavras precisam ser apropriadas e agradáveis para aqueles a quem nos dirigimos. “Para que saibam como devem responder a cada um.” Só o Espírito Santo pode nos dar as palavras certas, no momento certo, com o propósito certo, e preparar o coração dos ouvintes para a mensagem que “devemos” compartilhar (aqui, também, a palavra grega dei, mencionada na lição de ontem, é usada).
Sexta-feira, 20 de março
Ano Bíblico: RPSP: 2RS 25
Estudo adicional
“Cada membro da família deve sentir que sobre que sobre ele repousa a responsabilidade individual de fazer sua parte em ajudar no conforto, ordem e regularidade do lar. Não deve trabalhar um contra o outro. Todos devem empenhar-se unidos na boa obra de se encorajarem mutuamente; devem exercer gentileza, longanimidade e paciência; falar em tom calmo e baixo, evitando confusão, e cada um fazendo o melhor para aliviar o fardo da mãe. […]
“Todos, desde a criança de seis anos para cima, devem compreender que deles se requer que desempenhem sua parte nos deveres da vida” (Ellen G. White, Testemunhos Para a Igreja [CPB, 2021], v. 2, p. 566).
“Devemos deixar Cristo entrar em nosso coração e em nosso lar se queremos andar na luz. O lar deve ser tudo o que está implícito nessa palavra. Deve ser um pequeno Céu na Terra, um lugar em que se cultivem as afeições em vez de serem sistematicamente reprimidas. Nossa felicidade depende do cultivo do amor, da compaixão e da verdadeira cortesia de uns para com os outros. […] Devemos esquecer-nos a nós mesmos, sempre procurando oportunidades – mesmo em coisas pequenas – para mostrar gratidão pelos favores recebidos, e estar atentos para observar oportunidades para animar outros, confortando-os em suas tristezas e aliviando-lhes as cargas por mostras de terna bondade e pequenos atos de amor. Essas atenciosas cortesias, que, iniciando-se em nossa família, se estendem até fora do círculo familiar, ajudam a tornar o montante da vida feliz” (Ellen G. White, Testemunhos Para a Igreja [CPB, 2021], v. 3, p. 449).
Perguntas para consideração
- Se você é casado(a), quais princípios ajudam você? Que conselho daria para quem ainda não é casado?
- Muitos filhos criados em lares cristãos rejeitam a fé. Que palavras de conforto e conselho você daria a seus pais? O que seria melhor evitar dizer?
- Reflita mais sobre o conselho de “andar em sabedoria”. O que significa, por outro lado, andar em “estupidez”?
Respostas às perguntas da semana: 1. Paulo orienta que haja amor e respeito no casamento. O marido deve amar a esposa como Cristo amou a igreja, e a esposa, respeitar o marido com dedicação. 2. Os textos mostram que os filhos devem ser ensinados com amor, firmeza e presença constante dos pais. 3. Os servos devem trabalhar honestamente, como para o Senhor. Esses princípios se aplicam ao ambiente de trabalho: dedicação, honestidade e consciência de que Deus vê tudo. 4. Ele ensina a orar com perseverança, vigilância e gratidão. Paulo pede oração para que Deus lhe dê oportunidade e clareza ao anunciar o evangelho. 5. Deus abre oportunidades quando cria circunstâncias favoráveis à comunicação do evangelho. 6. Devemos ser mais sábios ao lidar com os que não pertencem à igreja.
CPB
