Prefeita afirma apoiar CPI, desde que investigação alcance gestões anteriores.
por Luci Matos
Flávia Moretti defendeu a abertura de investigações sobre obras públicas em Várzea Grande, mas condicionou o debate à ampliação do alcance das apurações para incluir intervenções executadas em administrações anteriores. A manifestação ocorreu durante agenda pública no distrito do Cristo Rei, onde a prefeita afirmou que sua gestão tem identificado falhas estruturais em empreendimentos herdados e que considera fundamental a adoção de critérios isonômicos na fiscalização dos investimentos realizados com recursos públicos.
Segundo a chefe do Executivo municipal, diversos problemas detectados atualmente envolvem obras que ainda se encontram dentro do período de garantia contratual. Ela citou como exemplo pavimentações que apresentam desgaste prematuro e trechos de asfalto que, conforme relatou, estariam se deteriorando antes do prazo esperado para sua conservação. Para a prefeita, a discussão sobre uma eventual Comissão Parlamentar de Inquérito deve ser conduzida sem direcionamentos políticos e com abrangência suficiente para examinar contratos, execuções e responsabilidades de diferentes períodos administrativos.
Durante sua fala, Flávia Moretti argumentou que a própria administração municipal tem atuado na identificação de inconsistências técnicas em obras já concluídas. De acordo com a prefeita, equipes da prefeitura vêm realizando levantamentos para catalogar problemas encontrados em bairros da cidade, especialmente em serviços de infraestrutura urbana. Ela sustentou que os apontamentos feitos pela atual gestão demonstram compromisso com a fiscalização dos recursos públicos e com a busca por soluções definitivas para demandas históricas da população.
A prefeita também afirmou que estuda mecanismos jurídicos para reparar prejuízos causados por obras que apresentem defeitos de execução. Conforme explicou, a administração analisa, em conjunto com a Procuradoria Municipal, medidas que permitam a realização de intervenções corretivas mesmo em situações que envolvam responsabilidades de terceiros. O objetivo, segundo ela, seria evitar que a população continue sendo afetada por problemas estruturais enquanto eventuais disputas administrativas ou judiciais seguem em tramitação.
Além da defesa de uma fiscalização mais abrangente, Flávia Moretti destacou que a atual gestão concentra esforços na reorganização dos serviços públicos e no planejamento das ações de infraestrutura. Ela afirmou que a estratégia adotada prioriza inicialmente a correção de problemas estruturais, especialmente aqueles relacionados ao abastecimento de água, drenagem e esgotamento sanitário, para que futuras obras não precisem ser refeitas posteriormente. Na avaliação da prefeita, o planejamento adequado reduz desperdícios de recursos e aumenta a eficiência das intervenções urbanas.
A agenda realizada no Cristo Rei foi utilizada pela gestora para apresentar o modelo de trabalho que vem sendo executado no município. Segundo ela, as equipes técnicas atuam diretamente nos bairros para identificar vazamentos, problemas de drenagem e outras situações que possam comprometer a durabilidade das melhorias. A prefeita afirmou que o cronograma prevê ações contínuas ao longo dos próximos meses e reiterou que a meta da administração é ampliar gradativamente os serviços para todas as regiões da cidade. Ela também ressaltou que o acompanhamento presencial das obras permite respostas mais rápidas às demandas apresentadas pelos moradores.
Dados recentes reforçam a relevância do debate sobre infraestrutura urbana e fiscalização de obras públicas. Em âmbito nacional, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística identificou que cerca de 34 milhões de brasileiros vivem em vias urbanas sem pavimentação adequada, representando aproximadamente 16% da população do país. Em Mato Grosso, levantamento oficial aponta que aproximadamente 580 mil pessoas residem em áreas urbanas com algum tipo de deficiência relacionada à infraestrutura viária, número equivalente a cerca de 16% da população estadual. Os indicadores evidenciam a importância da manutenção adequada das obras públicas, do acompanhamento técnico permanente e da correta aplicação dos recursos destinados ao desenvolvimento urbano.











