Deputado afirma que foi preso em missão oficial em 2015 e diz que discurso usado pelo regime venezuelano se repete hoje no Brasil
O deputado federal José Medeiros (PL) afirmou que o Brasil vive um cenário institucional semelhante ao da Venezuela em 2015, quando esteve no país vizinho como integrante de uma missão oficial do Senado Federal e acabou sendo detido pelas autoridades locais. Segundo ele, a experiência pessoal serve como alerta para o momento político e jurídico vivido atualmente no Brasil.
Medeiros relembrou que, naquele ano, nove senadores brasileiros viajaram à Venezuela para apurar denúncias de prisões de opositores políticos, em um contexto de investimentos bilionários do governo brasileiro no país, por meio do BNDES. Ao desembarcarem no aeroporto, a comitiva foi impedida de seguir viagem.
De acordo com o parlamentar, a detenção dos senadores foi respaldada por decisões da Justiça venezuelana, que utilizava acusações genéricas como “atentado contra o Estado democrático de direito” e “ameaça à democracia” para justificar a repressão contra opositores.
“Nós fomos presos quando chegamos. Ficamos duas horas detidos dentro do avião, depois fomos levados para uma van e, em seguida, ficamos sitiados o dia inteiro. Tudo era legal, tudo autorizado pela corte de lá”, relatou Medeiros.
Segundo o deputado, o discurso de defesa da democracia usado pelo regime venezuelano serviu, na prática, para justificar censura, perseguição política e autoritarismo, além de conduzir o país ao colapso econômico. Para ele, o Brasil segue um caminho semelhante, tanto do ponto de vista jurídico quanto fiscal.
“Na Venezuela, nós vimos no que isso culminou: gastos desenfreados, repressão política e destruição institucional. Hoje, no Brasil, se diz que é preciso censurar programas de televisão, controlar narrativas ou restringir liberdades para ‘salvar a democracia’. É exatamente o mesmo discurso”, afirmou.
Medeiros também comparou a atual situação fiscal brasileira à vivida pela Venezuela antes da crise e criticou o que chamou de cerceamento do debate político, especialmente durante o período eleitoral.
“Estamos gastando como se não houvesse amanhã, assim como aconteceu lá. Em campanha, quem decide é o eleitor. A liberdade de expressão não pode ser relativizada em hipótese alguma. Se alguém mentir, o eleitor pune. Não cabe ao Estado, ao Judiciário ou ao TSE decidir o que pode ou não ser dito em campanha”, concluiu.