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Procuradoria da Mulher amplia debate sobre assédio na Câmara

Da Redação
5 minutos de leitura
Foto: Camile Souza
Última atualização: 11/05/2026 16:32

Oficina em Cuiabá reforça acolhimento, saúde mental e combate à violência institucional

A Procuradoria Especial da Mulher da Câmara Municipal de Cuiabá promoveu, na manhã desta segunda-feira (11), a oficina “Entre Pedras e Balões”, iniciativa voltada à conscientização sobre assédio moral, assédio sexual e saúde mental no ambiente institucional. A atividade ocorreu em parceria com a Procuradoria Especial da Mulher da Assembleia Legislativa de Mato Grosso e reuniu servidores, servidoras, parlamentares e representantes da estrutura administrativa da Casa de Leis, em Cuiabá. O encontro teve como objetivo ampliar o debate sobre práticas de violência silenciosa dentro das instituições públicas, fortalecer a cultura de acolhimento e estimular mecanismos preventivos de proteção às mulheres e aos trabalhadores do serviço público.

A oficina foi conduzida pela coordenadora de Projetos de Prevenção às Violências da Procuradoria da Mulher da Assembleia Legislativa, Daniella Paula Oliveira, que abordou os impactos emocionais e institucionais provocados pelo assédio no ambiente de trabalho. Durante a palestra, a especialista ressaltou que situações de constrangimento, humilhação ou intimidação contínua podem desencadear adoecimento psicológico, perda de produtividade, isolamento social e agravamento de transtornos emocionais. Segundo ela, o combate à violência institucional exige não apenas punição, mas também formação continuada, conscientização coletiva e construção de ambientes profissionais mais seguros e humanizados.

Ao destacar a importância da cooperação entre as duas procuradorias, Daniella afirmou que a troca de experiências fortalece tanto as instituições quanto as pessoas envolvidas no processo de acolhimento. Para a coordenadora, iniciativas educativas têm papel essencial na construção de uma cultura de paz e respeito dentro dos espaços públicos. Ela enfatizou ainda que o enfrentamento à violência de gênero depende da participação ativa de homens e mulheres na transformação das relações sociais e profissionais, sobretudo em ambientes historicamente marcados por práticas naturalizadas de constrangimento e silenciamento.

A procuradora especial da Mulher da Câmara de Cuiabá, vereadora Maria Avalone, afirmou que a estrutura criada pelo Legislativo municipal busca oferecer apoio imediato às mulheres que decidem denunciar situações de violência, abuso ou assédio. Segundo a parlamentar, a Procuradoria está em funcionamento há cerca de 30 dias e já realizou 12 atendimentos sigilosos. Ela explicou que o principal objetivo do órgão é garantir acolhimento humanizado no momento em que a mulher encontra coragem para pedir ajuda, disponibilizando atendimento discreto e orientação especializada dentro da própria Câmara Municipal.

A primeira-procuradora adjunta, vereadora Maysa Leão, destacou que o debate sobre assédio não deve se limitar ao atendimento externo à população feminina, mas também alcançar o ambiente interno da instituição pública. Conforme a parlamentar, muitos trabalhadores ainda desconhecem os conceitos e as formas mais recorrentes de violência psicológica e sexual no ambiente profissional, o que reforça a necessidade de campanhas educativas permanentes. Ela avaliou que a oficina teve caráter pedagógico e emocional, contribuindo para ampliar a percepção dos servidores sobre comportamentos abusivos frequentemente naturalizados no cotidiano de trabalho.

Durante o encontro, o subprocurador da Procuradoria Especial da Mulher da Câmara, Eustáquio Neto, defendeu a participação masculina nas discussões sobre violência contra a mulher e afirmou que os homens precisam assumir responsabilidade no enfrentamento ao problema. O procurador ressaltou que a maioria dos casos de violência de gênero ainda é praticada por homens, o que exige reflexão social profunda sobre padrões culturais e comportamentais historicamente reproduzidos. Daniella Paula Oliveira elogiou a postura do subprocurador e afirmou que a transformação social depende também do engajamento masculino no combate à violência e no fortalecimento de práticas de respeito e equidade.

Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam que o Brasil registrou mais de 1,2 milhão de casos de violência contra a mulher relacionados a ameaças, perseguições, lesões corporais e violência doméstica em 2025, número que representa crescimento superior a 8% em relação ao levantamento anterior. Em Mato Grosso, dados da Secretaria de Estado de Segurança Pública indicam que o Estado contabilizou mais de 18 mil registros de violência doméstica e familiar no último ano, correspondendo a aproximadamente 5% do total de ocorrências policiais registradas em território mato-grossense. Os números reforçam o desafio enfrentado por órgãos públicos e instituições de acolhimento na prevenção ao assédio, à violência psicológica e às agressões contra mulheres em ambientes domésticos e profissionais.

por Lucy Matos

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