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O COVID não deixou lição ou vai precisar aprender mais com o vírus Nipah?

Da Redação
9 minutos de leitura
Última atualização: 01/02/2026 00:22

Vidas em Jogo: O Carnaval será o palco de uma festa ou o estopim para uma nova crise sanitária com milhares de infectados”

Eraldo de Freitas
Da Editoria

A pandemia da COVID marcou definitivamente a história recente da humanidade e deixou uma lição incontornável: ignorar sinais iniciais de risco sanitário cobra um preço alto, humano e econômico. À época, discursos tranquilizadores e a crença de que a situação estava “sob controle” retardaram respostas essenciais. Hoje, diante do ressurgimento do vírus Nipah em diferentes pontos da Ásia, o mundo não pode repetir o mesmo erro.

Em janeiro de 2026, autoridades de saúde da Índia confirmaram um novo surto do vírus Nipah no estado de Bengala Ocidental, reacendendo o alerta internacional. Dois profissionais de saúde, um enfermeiro e uma enfermeira, ambos com cerca de 25 anos, foram infectados no distrito de North 24 Parganas, região próxima à cidade de Calcutá. Os casos chamaram atenção não apenas pela gravidade, mas pelo fato de envolverem trabalhadores da linha de frente do sistema de saúde.

Segundo informações oficiais, ambos os pacientes desenvolveram sintomas graves ainda no final de dezembro de 2025. Até o encerramento de janeiro de 2026, um deles permanecia sob ventilação mecânica, enquanto o outro apresentava evolução clínica positiva. As autoridades indianas, em conjunto com a Organização Mundial da Saúde, afirmam que o surto foi contido, após intenso rastreamento de contatos e adoção de protocolos rigorosos de isolamento.

Ao todo, cerca de 196 pessoas que tiveram contato direto ou indireto com os infectados foram identificadas, monitoradas e testadas. Todos os resultados deram negativo para o vírus Nipah, o que reforçou a avaliação de que o foco permanece restrito e sob vigilância. Ainda assim, a OMS classificou o risco como moderado no nível local, em Bengala Ocidental, e baixo nos níveis nacional, regional e global.

Mesmo com essa avaliação, países vizinhos como Tailândia, Nepal e Vietnã decidiram reforçar medidas de vigilância sanitária e triagem em aeroportos, especialmente para passageiros procedentes das áreas afetadas. Essas ações, longe de representarem pânico, refletem uma postura preventiva baseada na experiência recente com emergências sanitárias globais.

No Brasil, o Ministério da Saúde emitiu comunicado informando que o risco de o vírus Nipah chegar ao país é considerado baixo e que o surto atual não representa ameaça direta à população brasileira. Ainda assim, a pasta reforçou a importância da vigilância epidemiológica e do monitoramento internacional contínuo.

O vírus Nipah é uma zoonose, ou seja, uma doença transmitida de animais para humanos. Seu principal reservatório natural são morcegos frugívoros, conhecidos popularmente como “raposas voadoras”, do gênero Pteropus. A infecção pode ocorrer pelo contato direto com animais infectados, pelo consumo de alimentos contaminados ou, em alguns casos, pela transmissão de pessoa para pessoa, especialmente em ambientes hospitalares.

Trata-se de um vírus altamente letal, com taxas de mortalidade estimadas entre 40% e 75%, variando conforme o surto e a capacidade de resposta do sistema de saúde local. Os sintomas iniciais costumam incluir febre e dores de cabeça, podendo evoluir rapidamente para problemas respiratórios graves e encefalite, uma inflamação severa do cérebro. Até o momento, não existem vacinas ou tratamentos antivirais específicos licenciados, sendo o cuidado clínico baseado principalmente no suporte intensivo aos sintomas.

A origem do vírus Nipah remonta à Malásia, onde foi identificado oficialmente em 1999, após um surto devastador iniciado em 1998 entre criadores de porcos. Naquele episódio, o vírus passou dos morcegos para os suínos e, destes, para os humanos. Estudos posteriores indicaram que queimadas florestais na Indonésia forçaram a migração dos morcegos para áreas rurais da Malásia, facilitando o chamado “transbordamento zoonótico”.

O nome “Nipah” deriva da vila de Sungai Nipah, em Port Dickson, local onde o vírus foi isolado pela primeira vez em um paciente humano. Inicialmente, as autoridades acreditaram que se tratava de encefalite japonesa, o que atrasou as medidas corretas de contenção. Somente após a atuação de virologistas locais e de centros internacionais de pesquisa foi possível identificar o novo patógeno.

Diferentemente do surto original mediado por porcos, os episódios mais recentes registrados na Índia e em Bangladesh estão associados principalmente ao consumo de seiva de tamareira crua contaminada diretamente por morcegos. Essa mudança no padrão de transmissão reforça a complexidade do vírus e a necessidade de adaptação constante das estratégias de prevenção.

Atualmente, as principais recomendações para viajantes na Ásia incluem evitar o consumo de frutas parcialmente comidas, alimentos expostos ao ar livre e produtos naturais não pasteurizados, como a seiva de tamareira. Também é recomendado evitar contato próximo com morcegos, animais doentes e ambientes hospitalares sem proteção adequada em regiões com histórico recente de surtos.

A experiência da COVID mostrou que minimizar riscos não os elimina. Pelo contrário, posterga decisões e amplia consequências. O alerta do vírus Nipah não deve ser tratado como prenúncio de uma nova pandemia inevitável, mas como um teste de maturidade institucional. Prevenção, transparência e vigilância são hoje instrumentos indispensáveis para proteger vidas e garantir estabilidade social em um mundo cada vez mais interconectado.

FESTAS CARNAVALESCAS
Outro ponto que merece reflexão responsável diz respeito às grandes festas carnavalescas do Brasil. Todos os anos, milhões de pessoas de diferentes países desembarcam em São Paulo e no Rio de Janeiro para participar do Carnaval paulista e do Carnaval carioca, dois dos maiores eventos de massa do planeta. Em um cenário de alerta sanitário internacional, ainda que embrionário, surge uma pergunta legítima que precisa ser enfrentada com maturidade institucional: quais protocolos adicionais estão sendo considerados para eventos que promovem intensa aglomeração humana e circulação internacional? Questionar a necessidade, o formato e as salvaguardas sanitárias desses eventos não significa ser contra a cultura ou o turismo, mas sim ponderar se é prudente repetir modelos pré-pandemia diante de sinais que recomendam cautela e prevenção.

ESTATÍSTICAS DA COVID-19
GLOBAL
– Os números deixados pela COVID reforçam por que a prevenção precisa vir antes da negação. Em escala mundial, mais de 770 milhões de pessoas foram oficialmente infectadas, das quais cerca de 7 milhões perderam a vida, segundo dados consolidados ao longo da pandemia. Isso significa que centenas de milhões de pessoas sobreviveram à infecção, muitas delas com sequelas de longo prazo. O impacto econômico global foi igualmente devastador, com perdas estimadas em mais de US$ 12 trilhões, considerando retração do PIB, fechamento de empresas, desemprego em massa e aumento da dívida pública em diversos países.

BRASIL – No Brasil, os números também são expressivos: mais de 700 mil mortes, aproximadamente 38 milhões de casos confirmados, e um impacto econômico que superou R$ 700 bilhões, somando retração econômica, gastos emergenciais e efeitos prolongados sobre o mercado de trabalho. Esses dados não são meras estatísticas; são um alerta concreto de que esperar a confirmação do pior cenário para agir custa vidas e compromete o futuro econômico de nações inteiras.

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