Vereador questiona aumento expressivo e cobra explicações da prefeitura
Por Lucicleide Matos
A escalada dos gastos com comunicação institucional da Prefeitura de Cuiabá tornou-se centro de um embate político e administrativo após o vereador Dídimo Vovô afirmar que identificou inconsistências entre o orçamento aprovado e os valores efetivamente executados. Segundo ele, dados obtidos judicialmente indicam que, apesar de previsões iniciais mais modestas, os investimentos em mídia pública cresceram de forma significativa, levantando questionamentos sobre transparência, critérios de distribuição e origem dos recursos utilizados.
O parlamentar sustenta que, ainda durante o período em que o atual prefeito Abílio Brunini exercia mandato legislativo, havia um discurso público de contenção de despesas, com a estimativa de que não seria necessário ultrapassar R$ 5 milhões em gastos com comunicação. Entretanto, conforme relatado, a realidade orçamentária teria tomado outro rumo após a mudança de gestão, com cancelamento de processos licitatórios em andamento e a abertura de novas contratações com valores muito superiores.
De acordo com o vereador, a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2024 aprovou cerca de R$ 12 milhões para comunicação institucional. No entanto, ele afirma que a execução teria ultrapassado esse montante, alcançando cifras superiores a R$ 25 milhões apenas em 2025. A diferença, segundo ele, ainda não teria sido devidamente esclarecida pela administração municipal, o que levanta dúvidas sobre possíveis remanejamentos orçamentários entre secretarias estratégicas, como Saúde, Educação, Obras e Ordem Pública.
Outro ponto destacado envolve denúncias recebidas no gabinete do parlamentar. Segundo ele, veículos de comunicação teriam relatado supostas pressões relacionadas à veiculação de conteúdos institucionais, com indícios de que a liberação de campanhas publicitárias poderia estar condicionada à publicação de materiais favoráveis à gestão. O vereador afirma que tais relatos serão formalmente encaminhados aos órgãos de controle para apuração, ressaltando que não há críticas ao trabalho dos veículos, mas sim à eventual condução dos contratos públicos.
O levantamento apresentado também aponta a concentração de recursos em determinados veículos de comunicação, incluindo sites, rádios e emissoras de televisão. O vereador afirma ter identificado um grupo restrito entre os maiores beneficiados, embora não tenha divulgado detalhadamente todos os dados. Ele reforça que a análise considera volume de recursos recebidos, quantidade de publicações e participação em campanhas institucionais, buscando avaliar a proporcionalidade dos contratos.
Além disso, o parlamentar menciona a existência de vínculos entre empresas de comunicação e agentes públicos ou ex-integrantes da gestão, o que, segundo ele, reforça a necessidade de investigação. A ausência de informações detalhadas no portal da transparência também foi apontada como um obstáculo à fiscalização, motivando a busca por dados via judicial. Ele afirma que pretende protocolar denúncia junto ao Ministério Público para aprofundar a análise dos contratos e eventuais irregularidades.
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