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Prisão em flagrante expõe caso de violência extrema contra mulher

Da Redação
4 minutos de leitura
O suspeito, de 29 anos, foi preso pela Polícia Civil após denúncia da ex-companheira. Segundo a investigação, a vítima relatou episódios de agressão física, violência sexual, ameaças e privação de liberdade ocorridos em Cuiabá. (Foto: PJC)
Última atualização: 04/06/2026 10:04

Vítima procurou a Delegacia da Mulher após relatar violência física, sexual e psicológica

A Polícia Civil prendeu em flagrante, nesta quarta-feira 03, em Cuiabá, um homem de 29 anos suspeito de praticar crimes de estupro, cárcere privado, lesão corporal e ameaça contra a ex-namorada. A ação foi conduzida pela Delegacia Especializada de Defesa da Mulher (DEDM), após uma mulher de 37 anos procurar a unidade policial e relatar uma sequência de violências que teriam ocorrido entre a noite do dia 1º e a manhã do dia 2 de junho. Segundo a denúncia, os fatos aconteceram na residência onde o investigado se encontrava e envolveram agressões físicas, violência psicológica e supostos abusos sexuais praticados sem consentimento.

Conforme os relatos prestados à autoridade policial, a vítima e o suspeito mantiveram relacionamento afetivo por aproximadamente oito meses, encerrado no início de maio deste ano. Na noite de domingo 01/06, ela recebeu uma ligação do ex-companheiro, que alegava estar emocionalmente abalado e manifestava o desejo de conversar pessoalmente. Sensibilizada pela situação, a mulher decidiu encontrá-lo e se dirigiu ao imóvel onde ele estava. O encontro, inicialmente motivado por uma tentativa de diálogo, teria evoluído para uma situação marcada por violência e intimidação.

Segundo a investigação, após algum tempo de conversa, o suspeito passou a demonstrar comportamento agressivo durante uma discussão motivada por ciúmes. A mulher relatou que foi submetida a agressões físicas e ameaças, permanecendo sob intenso estado de constrangimento. Entre os episódios narrados, ela afirmou ter sido obrigada a gravar vídeos nos quais fazia declarações ofensivas contra si mesma, situação que, segundo os investigadores, reforça os indícios de violência psicológica e controle emocional exercidos contra a vítima.

Os depoimentos colhidos apontam ainda que, ao longo da madrugada, a mulher teria sido submetida a atos sexuais sem consentimento, mediante violência e grave ameaça. De acordo com o relato apresentado à Polícia Civil, a vítima permaneceu sob constante intimidação, sem condições de deixar o local em razão do ambiente de medo e coerção estabelecido pelo investigado. Os fatos narrados passaram a integrar os elementos preliminares analisados pela equipe responsável pelo caso.

A situação, conforme descrita pela denunciante, teria se prolongado durante a manhã seguinte. Ela relatou que continuou impedida de sair da residência e permaneceu sob vigilância constante. Segundo sua versão, meios que poderiam facilitar sua saída teriam sido restringidos, enquanto novas ameaças mantinham o ambiente de controle. A vítima informou ainda que somente conseguiu deixar o imóvel após convencer o suspeito de que retornaria posteriormente ao local, oportunidade em que buscou imediatamente auxílio policial.

Diante da gravidade das informações apresentadas, a Delegacia Especializada de Defesa da Mulher iniciou diligências para localizar o suspeito. Os policiais realizaram buscas em diferentes endereços vinculados ao investigado, incluindo locais indicados pela vítima e possíveis ambientes frequentados por ele. Após levantamentos e monitoramento, o homem foi encontrado no interior de uma residência e conduzido à unidade especializada para prestar esclarecimentos sobre os fatos investigados.

Após o interrogatório, o suspeito foi autuado em flagrante pelos crimes apurados na ocorrência e colocado à disposição do Poder Judiciário. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que o Brasil registrou 83.114 vítimas de estupro em 2024, média superior a 227 casos por dia, enquanto Mato Grosso contabilizou 2.031 registros do mesmo crime no período, representando uma das maiores taxas proporcionais do país. Os números reforçam a dimensão do desafio enfrentado pelas autoridades no combate à violência contra a mulher e na ampliação dos mecanismos de proteção às vítimas.

por Lucy Matos

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