“Preso pela DRACO do RJ, é investigado em MT e exercia papel-chave na gestão de empréstimos ilícitos da facção”
| Da Redação /
SBC do Brasil – MT |
A prisão de um dos principais operadores financeiros de uma facção criminosa interestadual, localizada no Rio de Janeiro, marcou um novo desdobramento da Operação Cartório Central, deflagrada nesta quarta-feira (14/01) pela Polícia Civil de Mato Grosso. A medida judicial, cumprida com apoio da polícia fluminense, teve como foco interromper o fluxo de recursos ilícitos que sustentava atividades criminosas em municípios mato-grossenses, abrangendo tráfico de drogas, usura e esquemas de lavagem de dinheiro.
O cumprimento do mandado de prisão preventiva ocorreu após intenso intercâmbio de informações entre unidades especializadas das polícias civis dos dois estados, demonstrando a importância da cooperação interestadual no enfrentamento a organizações criminosas que atuam além das fronteiras regionais. A ordem judicial foi expedida pela Justiça de Primavera do Leste, comarca onde se concentram as investigações que deram origem à operação.
De acordo com os autos do inquérito, o investigado desempenhava função de alta relevância dentro da facção, sendo responsável pela coordenação financeira do segmento de agiotagem. Sua atuação envolvia a concessão de empréstimos ilegais, a organização de cobranças, o gerenciamento de repasses internos e a redistribuição de recursos para diferentes frentes de atuação do grupo, o que o colocava em posição estratégica na cadeia de comando.
As investigações revelam que o esquema utilizava mecanismos sofisticados para dissimular a origem dos valores movimentados, incluindo o uso de contas bancárias de terceiros e a fragmentação das transações financeiras. Esse modelo visava dificultar a identificação dos beneficiários finais e reduzir a possibilidade de rastreamento por órgãos de fiscalização, caracterizando indícios consistentes de lavagem de dinheiro.
Outro ponto relevante apurado foi a atuação conjunta do preso com uma integrante da organização apontada como responsável por centralizar registros internos e validar operações financeiras e disciplinares. Essa função, conhecida internamente como “cartório central”, exercia papel fundamental no controle das atividades da facção, assegurando a padronização de procedimentos e a obediência às normas impostas pelo grupo criminoso.
A ofensiva policial reforça a estratégia de atingir o crime organizado por meio do enfraquecimento de sua base econômica. Autoridades de segurança avaliam que operações focadas na desarticulação financeira produzem efeitos duradouros, uma vez que limitam a capacidade das facções de manter estruturas logísticas, adquirir armamentos e ampliar sua influência territorial.
ESTATÍSTICAS
Em âmbito nacional, estatísticas oficiais apontam que, em 2024, aproximadamente 225 mil pessoas foram presas em ações relacionadas a crimes associados a organizações criminosas, sendo cerca de 97 mil delas vinculadas a investigações de tráfico, usura e lavagem de dinheiro, o que representa em torno de 43% do total. Em Mato Grosso, no mesmo período, foram registradas cerca de 11.800 prisões por crimes relacionados a facções, das quais aproximadamente 4.900 envolveram delitos financeiros e tráfico, correspondendo a cerca de 41%, demonstrando a dimensão do impacto econômico dessas organizações e a importância de operações como a Cartório Central.
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